Desafio de uma Escolha

Blog – dicas e sugestões

Chamam a atenção os pontos em comum encontrados nos depoimentos. Uns falam em interesse, outros habilidade, capacidade, vocação, ou mesmo inspiração, seja que nome tiver, trata-se aqui de um aspecto fundamental para qualquer escolha. Em se tratando do caminho profissional este é um ponto que ocupa boa parte deste cenário. Como nos diz Grete “A escolha da profissão é uma decisão importante, cada um deve observar sua vocação e também seus talentos”, assim como Renato que lembra que “desde pequeno tinha uma habilidade nata que se manifestava pela facilidade e curiosidade em experimentar a preparação dos alimentos”. Isso se traduz no que Lívia traz como autoconhecimento. O que impulsiona e dá sustento a construção de um projeto de realização profissional: de ser feliz e ter prazer no que faz.
Um outro ponto que atravessa e ilumina toda e qualquer a trajetória profissional é o que Guenther chama de imaginação. Uma certa capacidade criativa necessária para construir soluções para os desafios encontrados. Atravessando todos esses aspectos, características e expectativas está o que Fernanda toma como fio condutor, “o importante é acreditar no que se faz”.


foto Grete

Hoje o computador tomou o lugar da prancheta e lapiseira, sendo considerado um instrumento precioso para Grete Pflueger, arquiteta urbanista, pesquisadora e doutora em urbanismo, com dedicação exclusiva no cargo de professora adjunta da Universidade do Maranhão.

Segundo nossa entrevistada, a engenharia nasceu da tecnologia e arquitetura das belas artes; embora as duas sejam áreas convergentes e complementares na execução conjunta de projetos arquitetônicos e estruturais cada uma tem suas atribuições especificas. Os arquitetos atuam na elaboração de projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos e os engenheiros em projetos de grandes estruturas, ambientais e hidrossanitários, civil e elétricos.

A obra, a construção, o edifício, a cidade e as estruturas urbanas, são objetos comuns das duas práticas, pois o projeto arquitetônico e estrutural são instrumentos dos dois profissionais na construção civil, urbana e arquitetônica.

Ao ser perguntada sobre que sugestões daria aos jovens que querem seguir a arquitetura como profissão, Grete inicia falando sobre seu processo de escolha, facilitado pelo conhecimento que tinha de seus gostos e interesses. Desde os 17 anos, já tinha um constante interesse pela cidade, pelas artes e pela arquitetura de modo geral. Este é um aspecto que merece destaque, pois é um ponto de convergência entre o autoconhecimento,- o interesse – e o mundo em que vivemos e o que ele nos oferece enquanto possibilidades e oportunidades. Prestar atenção às habilidades é um exercício  que deve ser estimulado desde muito cedo, pois faz parte da construção da identidade, o que torna menos difícil o momento de escolha. Posteriormente Grete foi se especializando, aprimorando seu interesse e descobrindo áreas com que mais se identificava.  Seguiu então o caminho da preservação do patrimônio histórico, em paralelo o ensino e a pesquisa na arquitetura e urbanismo tem sido até hoje objeto de sua dedicação profissional.

Segue então enfatizando que a escolha da profissão é uma decisão importante, cada um deve observar sua vocação e também seus talentos.  O curso de arquitetura é formado por um conjunto de disciplinas: a espinha dorsal do curso é a disciplina de projeto arquitetônico, seguida de planejamento urbano e paisagismo. Há também o conjunto de disciplinas teóricas de história da arte e da arquitetura, disciplinas técnicas como sistemas estruturais, desenho e informática.

Recomenda diretamente que o estudante viaje, observe as cidades, desenhe o que vê! observe em especial a sua cidade e veja como ela é um organismo vivo que cresce e se transforma a cada dia e que a arquitetura é a materialidade das idéias e das inspirações do homem a cada tempo. É emocionante esse momento, pois Grete nos faz sentir a satisfação com que trabalha, de certa forma transformando sonho em realidade, idéias e inspirações em projetos arquitetônicos.

Exemplifica ainda como os grandes edifícios ou seus fragmentos contam a história da humanidade através dos tempos, como as pirâmides, templos gregos, catedrais góticas, palácios renascentistas, edifícios modernos e torres pós modernas, ou mesmo, podemos acrescentar a essa lista o Rio, a cidade submersa de Chico Buarque em Futuros Amantes:

“…Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização.”

E destaca que na contemporaneidade obras arquitetônicas como a Catedral de Brasília de Oscar Niemeyer, a Opera House em Sydney do dinamarquês Jorn Utzon, e a Torre The Shard em Londres do italiano Renzo Piano que foram premiadas e reconhecidas pelo prêmio Pritzker de arquitetura que homenageia arquitetos, são trabalhos que demonstram uma combinação de contribuições consistentes e significativas para a humanidade e para o ambiente construído através da arte e da arquitetura.

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A arte sempre acompanhou a vida de Guenther Leyen, hoje um especialista em automação industrial. Mas também um pesquisador de imagens, de cores, de luzes e sombras.

A arquitetura lhe abriu caminhos. Escolheu primeiramente a arquitetura como objetivo profissional, o gosto pela geometria o levou a um apuro da percepção espacial, que hoje, lhe dá segurança ao criar ferramentas de e para automação.

A imaginação é o seu mais precioso instrumento de trabalho. Sua capacidade de pensar tridimensionalmente sedimenta o caminho entre a criação e a funcionalidade, criando possibilidades de trabalhar com tecnologias duras mas com leveza.

O grande desafio foi a autonomia, que conquistou prestando serviço com precisão técnica e fundamentalmente guiado pela ética.

Enquanto arquiteto, Guenther criou ambientes de convivência, como programador continua criando ambientes, pois constrói a interface entre a máquina e o usuário, um ambiente facilitador.

A fotografia traduz a sua forma de ver o mundo.

Mestre em Desenho Industrial pela Central Saint Martins – Londres.

Desenhista Industrial da Loowatt (www.loowatt.com) em Londres.

Fernanda nova

Você já imaginou um sistema Sanitário, sem água, que transforma dejeto humano em energia? E que função teria o Designer nesta empresa?

Acompanhando o movimento de preservação e cuidado com o planeta a Designer Fernanda Costa nos fala de sua experiência.

Fernanda observa que, na contemporaneidade, as pesquisas em torno da comercialização dos bioplásticos, que biodegradam no meio ambiente sem agredi-lo, são desafios que provocarão mudanças significativas no setor de embalagens.

E lembra que na sua pesquisa de Mestrado, buscava formas de transformar lixo em energia quando descobriu a digestão anaeróbica, que considera fascinante por ser um processo biológico que produz energia renovável e fertilizante.

Acompanhada de seu laptop e um caderninho A5, seus preciosos instrumentos de trabalho, recorda que desde criança teve interesse em desenhar, construir e criar, “com 12 anos achei que seria Arquiteta, com 16, Artista Plástica. Então descobri o Desenho Industrial, uma área híbrida entre Arte e Tecnologia e tive certeza que era isso que eu tinha que fazer.”

 Fernanda nos fala também dos desafios, da fase que não acreditava no que fazia e questionava a sua carreira. Nesta época era Desenhista de Embalagens para grandes empresas de alimento, que prezavam a preocupação com meio ambiente. Ao conquistar o privilégio de poder se dedicar durante dois anos ao Mestrado em Desenho Industrial na Central Saint Martins em Londres, lá, longe das pressões da vida comercial pôde re-pensar a carreira e no que acreditava, “Eu busquei formas de como embalagens poderiam ser “alimentos” que gerassem valor, e daí descobri a digestão anaeróbica”

 “Ser Desenhista Industrial é muito divertido, mas nem sempre bem remunerado. Se você deseja se dedicar à profissão, recomendo ter interesse em negócios e estratégias, pois para fazer a diferença é importante saber como se posicionar frente a um investidor, e expressar com clareza e objetividade as idéias do seu projeto. Acho importante  acreditar no que se faz e  ter responsabilidade de como o produto é feito”.

 Assim Fernanda encerra nosso bate papo fazendo considerações sobre a ética profissional, que inclui respeito e um espírito crítico  com relação ao que fazer, para quem e que materiais utilizar,  observa ainda “que tem tanta “tralha” no mundo, que acredito que o papel do Desenhista Industrial agora seja questionar e facilitar a interação de objetos com usuários”. 

Entrevista com Dra. Lívia Soares Martini Gomes Pereira

Especialista em Odontopediatria. Atua em consultório particular no Rio de Janeiro atendendo crianças e adolescentes.

???????????????????????????????“A nossa entrevistada destaca que o lado bom de sua profissão é o privilégio de ter vários chefes (os clientes) e não apenas um para atender.” E como sempre gostou de estar ao lado das crianças buscou através de sua atividade profissional, realizar esse desejo, mantendo o contato contínuo com as mesmas. Da sua infância traz criativas e significativas recordações familiares que influenciaram sua escolha pela Odontologia. Vamos conferir o que a Dra. Lívia nos relata.

Por que você optou em fazer ODONTOLOGIA?

Desde a época de colégio, as matérias que eu mais gostava eram Biologia, Línguas e Artesanato.  Sempre gostei também de crianças de um modo geral e de pensar. Filosofia e Psicologia também me davam grande prazer em estudar.

Como minha família tinha sofrido uma queda financeira, minha mãe colocava a questão de “se sustentar” de modo muito claro. Prestei então vestibular para Biologia e Odontologia, pois Belas Artes teve que sair do páreo.

Como você descobriu o interesse por sua profissão?

Minha mãe era dentista e dividia conosco sua realidade profissional. Ela trazia  materiais diversos para que nós pudéssemos “brincar”. Então, eu e meu irmão podíamos fazer esculturas de dentes em cera, dobrar arames e fios diferentes, folhear livros de cirurgia. A profissão deu muito prazer à minha mãe. Tanto o prazer direto  – tipo “Que bom fazer esta restauração” ; quanto o indireto, como por exemplo, ter proporcionado à minha mãe se sustentar e viajar muito. Além do fato de ela ter sido uma excelente profissional e ter sido muito respeitada.

O que este profissional pode fazer?

Como em toda profissão, as gamas de cores são muito grandes. Na Odontologia, a pessoa pode optar pela Pesquisa Acadêmica (sem necessidade de contato com pacientes), a Radiologia (sem o contato com pacientes, pois as tomadas radiológicas são feitas por técnicos, cabendo ao profissional fazer os laudos), Ortodontia e Ortopedia  Facial (requerendo habilidade manual), Cirurgia Buço-Maxilofacial (capacidade espacial requerida), Odontopediatria (habilidade com crianças, paciência e a versatilidade de trabalhar com todas as especialidades do adulto, mas apenas em crianças e adolescentes).

Quais os fatores mais importantes na sua formação?

Meu autoconhecimento e a oportunidade que tive de escutar minha mãe.

Quais são os maiores desafios?

Os maiores desafios são: a dificuldade e demora  de montar a clientela e o grande investimento contínuo em se atualizar. Além do fato de se o profissional for autônomo, encontrará dificuldades em exercer a profissão em outras cidades e países (praticamente inviável).

Qual era sua expectativa antes de seguir a carreira?

Ser feliz, gostar de ir trabalhar e poder me sustentar.

E hoje depois de alguns anos na carreira o que você destaca de bom e de ruim?

Bom – profissão criativa, liberdade de horário, ter vários chefes (clientes) e não só um

Ruim– consultório deixa o profissional muito só, grande investimento para se atualizar, instabilidade no faturamento, não habilitar a trabalhar em outros países e dificuldade em refazer clientela depois de um tempo de afastamento.

O fato de você ser do sexo feminino beneficiou sua inserção no mercado de trabalho?

Não fez diferença.

Qual a importância de sua família na sua escolha?

Acho que foi muito importante. Todo o tempo usado em conversar sobre o assunto foi muito válido. A sabedoria dos mais velhos me ajudou muito.

Quais são as dicas para o sucesso na carreira?

Ter moral retilínea, pé no chão para  a gerência do dia-a-dia do consultório e sabedoria para manter um relacionamento positivo e fiel dos pacientes/clientes.

Mestre em Hotelaria Internacional e Gerenciamento de Hotéis.

18 anos de experiência na Austrália.

Hoje atua como consultor na área de Gastronomia  no Rio  de Janeiro.

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Se a paixão não estiver presente, o prazer desanda.” Esta é uma frase de alguém apaixonado pelo que faz, de alguém que  soube transformar seu prazer num fazer com seriedade. Responsável por um caminho de sucesso, Renato nos fala de sua trajetória que teve início ainda na infância. Sua curiosidade e espírito aventureiro o ajudaram, temperando criativamente, as situações vividas. Leiam a entrevista que nos traz dicas preciosas.

Por que você entrou na indústria gastronômica?

Por minha curiosidade e interesse pela arte culinária que se manifestou desde a infância.

Nosso entrevistado ingressou profissionalmente na indústria gastronômica, como estagiário no Hotel Sofitel, aos 15 anos, através de seu tio, ocasião em que passava   férias no nordeste . Como sempre teve muito interesse pela gastronomia , que não sabe explicar de onde vem, trocou o descanso das férias familiares pela oportunidade vivenciar na prática essa experiência de trabalho.

Como você descobriu o interesse por sua profissão?

Inicialmente de maneira amadora através de jantares que preparava em casa dos amigos, e como sempre tive o papel de reunir as pessoas, sentia muito prazer em fazer por meio dessa  arte, preparando assim iguarias saborosas.

Em seguida, por ter um espírito aventureiro e curioso decidi ir morar na Austrália e  trabalhar num restaurante lavando pratos. Percebi que cozinhava muito melhor do que o chefe de cozinha do restaurante.

Candidata-se ao cargo e como foi o escolhido aceita, com satisfação e muita disposição, vencer os desafios de seu primeiro emprego na gastronomia.

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Dicas Cinematográficas

Se você se interessa por Gastronomia, profissão aquecida no nosso mercado, vale a pena ver ou rever o filme A Festa de Babette ( Babette  Gaestebud) dirigido por Gabriel Axel, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro ( Dinamarca) em 1988.

Este filme aborda, entre outras questões, o prazer vivido pela personagem em preparar um banquete para os moradores de um pequeno vilarejo de pescadores da costa dinamarquesa, decidindo assim investir todo o dinheiro ganho na loteria em Paris em proporcionar prazer, através da sua arte, aos seus convidados.

Como uma artista que conhecia os segredos de produzir alegria, Babette utiliza sua arte de preparo da comida, para também agradecer à comunidade  a acolhida recebida quando lá chegou refugiada de Paris.

Na noite do jantar chega um convidado, o General que visita sua tia  residente na aldeia, que ao se deliciar com iguarias tão especiais comenta:  “Havia em Paris uma Chef de Cozinha que era uma mulher capaz de transformar um jantar numa espécie de caso de amor, numa relação de paixão dando o melhor de si mesma” .

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